Veja as ações que escaparam da derrocada da bolsa
A instabilidade nos mercados internacionais, provocada pela intensificação da guerra comercial entre Estados Unidos e China durante o governo de Donald Trump, impactou de forma severa o mercado financeiro brasileiro. Como resultado, o Ibovespa – principal índice da bolsa de valores – acumulou uma queda superior a 3% em uma única semana, refletindo a fuga de investidores de ativos de risco.
A guerra comercial e seus efeitos imediatos
Inicialmente, o embate entre as duas maiores economias do mundo parecia temporário. Contudo, à medida que novas tarifas foram impostas e retaliações anunciadas, a tensão aumentou. Investidores, naturalmente avessos ao risco em tempos de incerteza, migraram para ativos considerados mais seguros, como o ouro e os títulos do Tesouro norte-americano. Dessa forma, bolsas emergentes, como a brasileira, foram diretamente impactadas.
Além disso, o real sofreu forte desvalorização frente ao dólar. Ao mesmo tempo, setores sensíveis ao mercado externo, como o de commodities, sofreram pressão adicional. Portanto, o cenário tornou-se especialmente desafiador para empresas exportadoras e para aquelas dependentes de insumos importados.
Setores mais afetados
Embora toda a bolsa tenha sentido os efeitos da crise comercial, alguns setores foram mais duramente penalizados. Por exemplo, empresas do setor de siderurgia e mineração, como Vale (VALE3) e CSN (CSNA3), registraram perdas expressivas. Isso ocorreu principalmente devido à expectativa de queda na demanda chinesa por minério de ferro, consequência direta das restrições comerciais.
Do mesmo modo, o setor automotivo enfrentou obstáculos significativos. Fabricantes que dependem de componentes importados viram seus custos aumentarem, ao passo que a incerteza global afetou negativamente as perspectivas de consumo interno. Como resultado, ações de montadoras e empresas do setor caíram substancialmente.
Quem escapou da derrocada
Entretanto, nem todas as ações foram afetadas da mesma forma. Curiosamente, alguns papéis conseguiram se valorizar mesmo durante a turbulência. Empresas do setor de energia elétrica, por exemplo, apresentaram desempenho positivo. Como são consideradas mais defensivas, ou seja, menos sensíveis a ciclos econômicos globais, foram vistas como porto seguro por investidores mais cautelosos.
Além disso, papéis do setor de saúde, como Fleury (FLRY3) e Raia Drogasil (RADL3), também escaparam do tombo. De fato, essas companhias mantêm receitas mais estáveis e são menos impactadas por flutuações externas, o que as tornou escolhas estratégicas durante a aversão ao risco.
Surpreendentemente, algumas empresas de tecnologia e varejo digital também apresentaram bom desempenho. Isso porque, com o dólar em alta, negócios focados no mercado interno tornaram-se relativamente mais atrativos.
Expectativas para os próximos dias
Por ora, o cenário continua incerto. Caso o conflito comercial se intensifique ainda mais, novas quedas não podem ser descartadas. Em contrapartida, qualquer sinal de negociação ou alívio nas tensões poderá impulsionar uma recuperação nos mercados.
Investidores, portanto, devem manter atenção redobrada. Ainda que oportunidades surjam, os riscos permanecem elevados. Portanto, a diversificação da carteira, aliada a uma análise criteriosa dos fundamentos das empresas, será essencial para atravessar esse momento.
Considerações finais
Em resumo, o Ibovespa foi duramente penalizado pela guerra comercial promovida por Trump, mas algumas ações conseguiram resistir à onda de vendas. Enquanto os desdobramentos globais continuam imprevisíveis, o investidor que busca estabilidade precisará, mais do que nunca, adotar estratégias bem fundamentadas e flexíveis.
Por fim, mesmo em tempos de crise, o mercado oferece oportunidades — desde que se saiba onde procurar.